A Síndrome de Burnout atinge cada vez mais dentistas

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A Síndrome de Burnout, também chamada de Síndrome do esgotamento profissional é um conjunto de sinais e sintomas típicos de profissionais que vivenciam longos períodos de estresse no trabalho, aliados a carga horária excessiva ou mesmo quantidades altas de atendimento. Na Odontologia sua ocorrência tem aumentado nos últimos 20 anos, porque o dentista reúne, profissionalmente, vários facilitadores para o desenvolvimento da Síndrome de Burnout: recebe demandas de todos os tipos e de níveis de exigência diversos, trabalha ou busca atuar aumentando a quantidade de atendimentos diários como forma de aumentar seu rendimento financeiro e/ou profissional, têm uma forte tendência de isolamento profissional e de se ver como “responsável” pelos resultados do tratamento e, finalmente, pode ser considerado uma vítima fácil para o Burnout por causa de um detalhe: o dentista têm fortes deficiências na gestão de sua vida profissional, e isso é uma porta aberta para que o dentista desenvolva Burnout.

Os sinais e sintomas atuam em dois grandes grupos: o nível individual e o profissional. No campo individual o dentista exibe cansaço excessivo, dificuldades em ter uma boa noite de sono, irritabilidade com episódios de tristeza. Também podem ocorrer isolamento, sensação de que “não quer sair de casa” e até o desenvolvimento de alterações com excesso de comida e de álcool. Já no campo profissional o dentista começa a se importar menos (ou nada) com o paciente, chegando até a trata-lo com certa ironia diante das necessidades dele. A queda de produtividade também é nítida, onde o dentista percebe que tanto a qualidade do atendimento diminui, quanto a vontade de atender o próximo. Em casos onde os pacientes precisam de meses para finalizar seus atendimentos, o dentista pode desenvolver antipatia com o paciente e até enxerga-lo como um “mal necessário”. O desgosto com a profissão e a vontade de jogar tudo para o alto também são constantes em dentistas que sofrem de Burnout.

Mas, pelas características acima, não estaríamos falando de episódios de estresse? Não seria a mesma coisa? Na verdade, não. O estresse é o conjunto de sensações que se manifestam com sensação de aperto, ansiedade, cansaço mas passa. O estresse não perdura além do fato ou acontecimento que o gerou: uma prova, uma apresentação frente a uma banca, mesmo um procedimento odontológico específico, como sua primeira cirurgia. O estresse tem um fim em si mesmo e o Burnout exacerba para toda a vida do dentista.

Mas por que o dentista é tão facilmente acometido pela Síndrome de Burnout? A resposta está em sua formação: as faculdades treinam e ensinam os alunos para dominar os aspectos técnicos e científicos da Odontologia. As pós graduações também repetem o mesmo erro: aprofundam esses conhecimentos e te torna ainda mais técnico… Mas e o lado gerencial? Como aplicar a dose certa de conhecimento técnico e científico no dia a dia do dentista, de modo que haja equilíbrio entre ganhos financeiros, desenvolvimento profissional e saúde?

Apesar de não haver estudos específicos relacionando gestão profissional de dentistas com a Síndrome de Bornout, as características manifestadas pelos doentes deixam essa relação muito evidente: o dentista começa a trabalhar mais e mais porque acredita que esse é o caminho para crescer profissionalmente e ganhar mais, atende mais e mais clientes por dia porque desconhece seu limite ótimo de produtividade e porque tem medo de dizer “não” para o paciente e perdê-lo. Outra situação comum é o excesso de funções rotineiras que poderiam ser delegadas para secretárias e auxiliares, mas não são, e sobrecarregam os dentistas com compras em dental, conversas ao telefone com protéticos, vendedores, pacientes e qualquer um que demande algo do consultório ou do dentista… Essa combinação é explosiva para 100% das pessoas em curto espaço de tempo.

Gestão é a habilidade que faz a diferença em muitos setores críticos para qualquer dentista: tanto o lado financeiro, profissional, familiar e até mesmo a saúde física e mental é fortemente afetada por dominar ou não gestão.

O tratamento para dentistas com Burnout inclui sempre: mudança de hábitos, aumentar seu tempo livre para exercícios físicos, hobbies, família e atividades pessoais. Estabelecer hábitos benéficos e necessários é muito mais fácil quando o dentista aprende gestão, pois ela permite organizar melhor seus horários, delegar para funcionários, definir o que é prioridade e o que é gasto de tempo e, finalmente, a gestão permite com que você se organize financeiramente e profissionalmente, dando o apoio emocional necessário para implementar novos hábitos saudáveis na sua vida.

Para saber mais, assista ao vídeo complementar nessa página, onde falo mais sobre o dentista e a Síndrome de Burnout.

 

Um abraço,

Weder Carneiro.

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