Motivação da equipe Odontológica

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Motivação da Equipe Odontológica

Esse texto foi escrito para tentar responder uma das grandes perguntas que recebi de um colega dentista: “Gostaria de saber sua opinião a respeito da melhor forma de motivar, incentivar, fazer a equipe a olhar para a empresa com a mesma visão, paixão que o próprio dono olha?”

Não há uma forma reduzida, ou simples, de respondê-la. Assim, vamos segmentar seu conteúdo para formar uma linha de pensamento que a complemente.

Existem muitas teorias e teóricos sobre motivação. Atualmente alguns motivadores profissionais são capazes de fazer outras pessoas andarem sobre o chão em brasas. De muitas formas, pode-se incentivar pessoas a buscarem, dentro de si, forças e coragem pra superar seus limites. Isso funciona bem antes de uma partida de futebol, de vôlei, de uma ação coletiva onde a motivação pode potencializar o resultado. No entanto, com três, quatro dias essa “energia” impulsiva começa a diminuir e a pessoa volta ao estado normal.

Mudando o cenário, agora dentro de uma clínica odontológica, também mudam os personagens e suas interações. De certo modo, em mais de 90% dos casos, o que motiva uma pessoa a acordar pela manhã com vontade de produzir mais e melhor não é dinheiro. Muitos trabalhos acadêmicos da HSM Menagement e da Harvard Business Review já comprovaram isso. O que realmente tem a capacidade de motivar alguém é uma “causa”, um propósito.

Na odontologia, vamos iniciar essa abordagem pela confecção dos termos missão, visão e valores. Esses três termos são pilares que toda organização precisa ter para construir sua “identidade cultural”. Feito isso, o recrutamento dos funcionários precisa ser tal que as características pessoais possam se alinhar com as características da empresa.

Para explicar um pouco melhor: uma empresa não é viva, não fala, não expressa raiva ou prazer. Quem expressa os sentimentos e, portanto, a identidade da empresa, são os funcionários que nela trabalham diariamente. Quando se pensa em uma clínica onde o atendimento é cordial é porque os funcionários passaram essa sensação para o cliente. De forma antagônica, quando se pensa em uma empresa de telefonia chamada “Teleazul”, por exemplo, a opinião pública sobre essa empresa nada mais é do que o reflexo do atendimento que os clientes receberam. Assim, por mais que se gaste milhões em propagandas e com artistas, o cliente final continua sentindo que a Teleazul não é uma empresa ética. Isso quer dizer que as pessoas que nela trabalham também, em sua maioria, não respeitam os princípios éticos com os consumidores.

Até hoje, meus conhecimentos e minha experiência, me levam a concluir numa única opção de motivar, de verdade, nossos funcionários: fazê-los se sentir parte da obra.

Os gregos antigos faziam uma distinção entre trabalho e obra. Trabalho é originário de um instrumento de tortura romano, chamado tripalium. Para os gregos antigos, trabalhava aquele que fazia uma tarefa sem amor, sem uma causa, sem importância. Para esses gregos, fazia uma obra aquele que pensava em sua tarefa como algo que fazia sentido para a comunidade, para a “polis”. Assim, fazer uma obra não era fazer uma escultura, um livro… mas fazer sua tarefa com o reconhecimento de que ela é importante para outras pessoas. Esse é o conceito grego antigo de obra.

Em minhas aulas tento mostrar que, quando você consegue envolver sua equipe para que façam uma obra, em vez de trabalharem, elas conseguem ver o sentido daquela tarefa. Quando se pensa em um trabalho odontológico, como uma prótese, pense em quantas pessoas estão envolvidas nesse processo e credite a elas a razão e a importância daquele trabalho. Toque sempre o emocional. Afinal, um cliente de prótese total usará àquela peça 24 horas por dia, por alguns anos. Não seria importante que toda a equipe se esforçasse para que essa peça fique boa o suficiente para dar conforto, alegria, segurança ao cliente? Essa é a melhor forma de motivar uma equipe. É fazê-la se sentir parte da obra.

Além disso, há ainda uma segunda estratégia: a da humildade do líder. Liderar é fazer com que outras pessoas sigam sua causa, sua opinião. É uni-las em torno de um ideal, uma causa… e por que não dizer: uma obra? Toda vez que a obra ficar bem feita, o líder deve deixar o seu ego de lado e elevar a equipe. Sempre que a equipe é elevada como agentes responsáveis pelo bom resultado, todos crescem. E a equipe vai querer crescer mais e mais, porque, agora, o líder deu um sentido, uma causa, uma motivação que difere das utilizadas antes de uma partida de futebol. Essa motivação nasce no coração de cada funcionário, que agora quer fazer mais e melhor, pela equipe.

Como se vê, tão rica a pergunta que a explicação se torna grande e complexa. Espero ter sintetizado e deixado claro a importância da identidade empresarial nesse processo de motivação da equipe.

Um grande abraço.

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